
SOBRE O PROJETO:
Trata-se de um projeto em que várias plataformas se juntam para a construção de material áudio-visual, plástico e textual, que se integrarão dentro de um blog na internet, com acesso aberto. O material audiovisual – curtas que se entrelaçam montando um quebra-cabeças de episódios – também está destinado a festivais, mostras e outros meios . (Leia mais em "Proposta-Base")
Obra Aberta: Todos são convidados a enviarem textos, idéias, referencias, fotografias, vídeos, que possam compor o material final.
Obra Aberta: Todos são convidados a enviarem textos, idéias, referencias, fotografias, vídeos, que possam compor o material final.
Para leerlo en castellano: http://proyectoviajeros.blogspot.com
POSTAGENS:
terça-feira, 25 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
SOBRE OS DOIS AMIGOS VIAJANTES:

Fragmento de "On The Road", de Jack Kerouac.
Aí eles iniciaram a coisa deles. Sentaram sobre a cama com as pernas cruzadas e olharam firme um para o outro. Eu me joguei numa cadeira próxima e observei a cena inteira. Começaram com um pensamento abstrato, discutiram sobre ele; recordaram-se de alguma outra idéia abstrata que havia sido esquecida no decorrer dos acontecimentos; Dean se desculpou, mas prometeu que poderia relembrar a cena, até com gravuras, se preciso.
Carlo disse: "E justamente quando passávamos por Wazee, eu queria te dizer o que tinha achado a respeito do teu acesso de loucura por causa do autorama e nesse exato instante, lembra, você apontou para aquele velho vagabundo com as calças frouxas e disse que ele era igual ao seu pai?"
"Sim, sim, claro que me lembro; e não só isso, mas também que aquilo foi o começo de uma tremenda viagem minha, algo realmente louco, que eu precisava te contar, e havia esquecido, mas agora você acaba de me relembrar..." e duas novas questões tinham nascido. Eles as analisaram com atenção. Então Carlo perguntou se Dean estava sendo honesto, mais especificamente se ele estava sendo honesto consigo mesmo, no fundo da alma.
"Por que você levantou essa questão outra vez?"
"Este é o último detalhe que quero saber..."
"Mas você está escutando, caro Sal? Você que está sentado aí. Vamos perguntar ao Sal. Que será que ele tem a dizer?"
E eu disse: "Esse último detalhe é inatingível, Carlo. Ninguém jamais consegue atingir esse último detalhe. Mas continuamos vivendo na esperança de alcançá-lo de uma vez por todas".
"Não, não, não. Você está dizendo uma bobagem completa, idéias românticas e refinadas de Wolfe", contestou Carlo.
E Dean disse: "De qualquer forma foi isso que quis dizer. Mas vamos deixar Sal ter suas próprias idéias. E, na verdade, você não acha, Carlo, há uma certa dignidade na maneira com que ele está sentado ali, apenas nos curtindo, esse maluco cruzou o país inteiro - o velho Sal não quer falar, não vai dizer nada".
"Não é que eu não vá falar", protestei. "Simplesmente não sei o que vocês estão pretendendo e onde querem chegar. Só sei que isso é demais pra qualquer cabeça."
"Você só diz coisas pessimistas."
"Então o que vocês estão querendo fazer?"
"Diga pra ele."
"Não, diga você."
"Não há nada a ser dito", eu disse e ri. Estava com o chapéu de Carlo. Puxei-o sobre meus olhos. "Quero dormir", falei.
"Pobre Sal, sempre querendo dormir." Me mantive calado. Eles recomeçaram, "Quando você me pediu emprestado aquele troco pra completar a conta daquela galinha assada..."
"Não cara, foi pro chili. O Texas Star, lembra?"
"Eu estava confundindo com terça-feira. Quando você me pediu emprestado, aquele dinheiro, você disse, escute bem, você disse 'Carlo, esta é a última vez que me aproveitarei de você', como se quisesse insinuar que eu tinha concordado que já era hora de parar com esse abuso."
"Não, não, não, não quis dizer nada disso - agora escute aqui, meu caro amigo, vamos rememorar tudo, se é que você consegue, voltando até aquela noite em que Marylou estava chorando lá no quarto e quando, ao me virar pra você, revelando meu ar de sinceridade postiça, quer dizer, através desta representação, eu demonstrei que... mas peraí, não é nada disso."
"Claro que não é nada disso. Acontece que você esqueceu. Mas vou parar de te acusar. Sim é isso o que eu tenho a dizer..." E mais e mais a noite afora prosseguiram falando desse jeito. Na aurora, eu os espiei. Estavam tentando elucidar o último assunto da manhã.
[...]
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
CENA - 2a PARTE
. CAROLINA (OFF)
Sua voz, seus olhos, suas mãos, seus lábios. Nossos silêncios, nossas palavras. A luz que vai e a luz que volta. Você insiste em descrever, delimitar, dar um lugar, uma fronteira, mas qualquer coisa que eu sinta é diferente disso que você traduz. E eu... Nem sei... Não sou... Não sou o limite entre nós dois, meu amor fica no mesmo lugar que você incita tal fronteira. Longe, longe, você se retira, declara seu amor como quem declara propriedade. Perto, perto, meu amor se mistura, sem palavras. Estou inteira... Você está até os pontos, até as reticências do seu texto todo. Suas palavras secam, fica a carcaça. Não me dei nas suas frases de amor, na sua retórica. Você ama em um embate, uma luta. O coração tem uma só boca. Tudo lançado à sorte, palavras se pensar. Os sentimentos à deriva. Tanto faz se sou eu, Moreau ou Bardot. Tanto faz, no fim, quando você está só. Quando é cinema. Meu amor vaza pela rua, entra no esgoto, suja a sua bota. Não sabe nada, nem é. Meu amor está presente, evapora. Sem histórias, sem forma. Você se arrasta pela cidade, com uma caneta e mil discursos de amor. No fim da tarde, nenhum beijo. Você só ama a sua vaidade, a sua política, sua aventura. Seu amor é velho. Viciado. Seu amor é uma ilusão. Meu amor só é.
Sua voz, seus olhos, suas mãos, seus lábios. Nossos silêncios, nossas palavras. A luz que vai e a luz que volta. Você insiste em descrever, delimitar, dar um lugar, uma fronteira, mas qualquer coisa que eu sinta é diferente disso que você traduz. E eu... Nem sei... Não sou... Não sou o limite entre nós dois, meu amor fica no mesmo lugar que você incita tal fronteira. Longe, longe, você se retira, declara seu amor como quem declara propriedade. Perto, perto, meu amor se mistura, sem palavras. Estou inteira... Você está até os pontos, até as reticências do seu texto todo. Suas palavras secam, fica a carcaça. Não me dei nas suas frases de amor, na sua retórica. Você ama em um embate, uma luta. O coração tem uma só boca. Tudo lançado à sorte, palavras se pensar. Os sentimentos à deriva. Tanto faz se sou eu, Moreau ou Bardot. Tanto faz, no fim, quando você está só. Quando é cinema. Meu amor vaza pela rua, entra no esgoto, suja a sua bota. Não sabe nada, nem é. Meu amor está presente, evapora. Sem histórias, sem forma. Você se arrasta pela cidade, com uma caneta e mil discursos de amor. No fim da tarde, nenhum beijo. Você só ama a sua vaidade, a sua política, sua aventura. Seu amor é velho. Viciado. Seu amor é uma ilusão. Meu amor só é.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
TRILHA SONORA: ZAMBA "PIEDRA Y CAMINO", de Atahualpa Yupanqui
"Piedra y Camino", interpretado por Mercedes Sosa.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
REGISTRO DE VIAGEM - CAMPO DE VISÃO
Essas estradas molhadas, o pára-brisa. A continuidade. As fotos de Amanda Amaral (Assistente de Direção das 2 primeiras partes do projeto) evidenciam um certo olhar, um campo de visão bastante diferente dos registros apresentados anteriormente. Além da relação ser/espaço, objeto/memória, ela consegue através da montagem expor um dos conceitos fundamentais do projeto: a intertextualidade. Dá a liberdade de olhar uma ação enquanto, ao mesmo tempo, outra acontece (ao lado, à quilometros de distância). Uma fala da outra de maneira recíproca, uma faz referência à outra e jamais poderiam existir sozinhas. O valor de uma imagem é dado não pelas suas características individuais, isoladas (a referência centralizada em si), mas sim por aquilo que o antecede e aquilo que o sucede.


FOTOS E MONTAGEM: AMANDA AMARAL


FOTOS E MONTAGEM: AMANDA AMARAL
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
"Limite" (1921), Mário Peixoto
O filme de Mário Peixoto (considerado por muitos a obra máxima do cinema brasileiro) nos apresenta uma maneira de enxergar o mundo muito moderna. Apesar da data em que foi concebido, 1921, o filme é pioneiro na linguagem usada hoje na vídeo-arte e no cinema experimental contemporâneo. O filme reflete muito mais pela sensitividade que pela racionalidade, ele indica coisas ao invés de apenas mostrá-las como elas são. A linha narrativa vem em segundo plano, serve para ilustrar um olhar, uma maneira de perceber o entorno. Quando a mulher anda pela cidade, a sua relação com o espaço é marcada por uma percepção puramente audiovisual. A câmera mesmo é um órgão vivo, que persegue os personagens pelo campo, menos que uma instância onipresente que acompanha suas ações sensório-motoras. Tem, por isso, uma certa ambiguidade que só pode ser encontrada anos depois com o neo-realismo italiano e levado ao extremo com as paisagens humanas de Antonioni.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
SOBRE O CHOQUE ENTRE GERAÇÕES:
Existe uma relação entre o antes e o depois que os desloca e os põe no lugar do outro. Isso cria o Afeto: a relação pela repetição. O Afeto prescede o aqui e o agora, se dá pela repetição da história em tempos e espaços distintos. É ir do trágico ao cômico.
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